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IV ENA expressa a potência da agroecologia no Brasil

Com o lema “Agroecologia e Democracia: Unindo Campo e Cidade”, o IV Encontro Nacional de Agroecologia reuniu mais de 2000 pessoas, entre os dias 31 de maio e 3 de junho, em Belo Horizonte.

Por Angélica Almeida

A abundância da diversidade dos sujeitos que constroem a agroecologia no Brasil foi evidenciada no Parque Municipal Américo Renné Giannetti, em Belo Horizonte, nos últimos 31 de maio a 3 junho. O lugar, ocupado pelos sabores, saberes, sotaques e cores do IV Encontro Nacional de Agroecologia (IV ENA), reuniu mais de 2000 mil participantes, dentre os quais pelo menos 50% eram mulheres e 30% jovens.

Enraizado nas experiências concretas construídas nas redes territoriais de agroecologia país afora, o encontro foi organizado pela Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) e enriquecido com a presença de povos indígenas de 31 etnias, quilombolas, agricultoras/es familiares, camponesas/es, extrativistas, pescadoras/es artesanais, faxinalenses, agricultoras/es urbanas/os, geraizeiras/os, sertanejas/os, vazanteiras/os, quebradeiras de côco, caatingueiras/os, criadoras/es em fundos e fechos de pasto, seringueiros, representantes de comunidades ribeirinhas, de povos tradicionais de matriz africana e povos de terreiro, bem como de representantes de organizações de assessoria técnica, universidades, órgãos públicos, órgãos de cooperação internacional e aliados da agroecologia de 14 países da América Latina e Caribe e da Europa.

Para denunciar as violações de direitos e anunciar resistências, o IV ENA contou com com uma programação ampla e plural, que buscou fortalecer o diálogo sobre “por que interessa à sociedade apoiar a agroecologia?”. Compuseram o encontro diversas manifestações artísticas e culturais; instalações artístico-pedagógicas com experiências territoriais desenvolvidas nos diferentes biomas brasileiros, além de debates sobre o litoral e as metrópoles; feira de saberes e sabores e praça de alimentação sem agrotóxicos e a preços populares; trocas de sementes; ciranda infantil; tenda da saúde; plenárias; seminários temáticos; oficinas e atividades autogestionárias; vivências na região metropolitana de BH; além de um ato público pelas ruas da capital e um banquete popular e agroecológico de encerramento do Encontro. (Confira a cobertura do Encontro na página da ANA)

De acordo com a carta política do IV ENA, todas essas práticas demonstram como a agroecologia é central para a construção de outras economias e outras relações sociais que se opõem à privatização dos Bens Comuns e à mercantilização da vida. A agroecologia se constitui e afirma, assim, não só como um modelo de produção agrícola ambientalmente correto, mas também como um modelo de sociedade democrático e sustentável, pautado pela equidade nas relações sociais, pelo enfrentamento e superação das desigualdades e discriminações que persistem, a exemplo do machismo, do racismo e da LGBTfobia.

 

O ENA, as águas e a gestão de resíduos

Entre os inúmeros temas trabalhados no encontro, foi debatido, em diferentes espaços, o papel da agroecologia na defesa das águas como bem comum, apresentando iniciativas de uso e reuso das águas; técnicas e acordos coletivos e comunitários de gestão e manejo; e valores e princípios contra-hegemônicos nas formas de pensar e se relacionar com as águas.

Também foram discutidos o lixo zero e agroecologia urbana, por meio de uma oficina facilitada pelo Instituto Nenuca de Desenvolvimento Sustentável (INSEA), na qual foram apresentadas experiências de modelos comunitários que têm mudado paradigmas, a partir da ampliação da consciência ambiental e social. Foi demonstrando como as cidades podem construir soluções sustentáveis integrando a gestão correta dos resíduos sólidos urbanos, principalmente os resíduos orgânicos e a produção de alimentos saudáveis.

Já na instalação artístico-pedagógica da Tenda das Metrópoles foi apresentada a experiência da “Revolução dos Baldinhos”, iniciativa que desde 2008 vem fazendo a diferença na Comunidade Chico Mendes, em Florianópolis, por meio da gestão comunitária de resíduos orgânicos e da promoção da agricultura urbana, e que está sendo replicada para diferentes locais do país.

Entre as experiências agroecológicas desenvolvidas na região metropolitana de BH, foram visitados o Corredor Agroecológico Arrudas e o Coletivo Roots Ativa. O Corredor Agroecológico Arrudas trata-se de uma  proposta de ressignificação do espaço urbano por meio da promoção do convívio, cultura e lazer, da mobilidade ativa, da agrobiodiversidade, da produção e do consumo de alimentos saudáveis, da reutilização de resíduos e da proteção das águas. Os/as participantes da vivência conheceram um trecho do Corredor com sua diversidade, ainda em construção, percorrendo, a pé ou de bicicleta, a trilha agroecológica.

O Roots Ativa, por sua vez, é um coletivo de jovens urbanas/os que moram em uma casa localizada na Vila Nossa Senhora de Fátima / Aglomerado da Serra – maior favela de Minas Gerais – e que praticam e difundem a cultura rastafári. O Coletivo Roots Ativa desenvolve várias atividades de preservação ambiental e de agricultura urbana na comunidade: gestão comunitária dos resíduos, por meio de minhocários e compostagem; viveiro de mudas; horta; permacultura; alimentação saudável; e comercialização em feiras e por encomendas. Durante a vivência, foram apresentadas algumas ações do Coletivo e realizados trabalhos práticos em uma área que agrega berços agroflorestais, compostagem e gestão de resíduos.

 

Materiais de referência:

Carta Convocatória do IV ENA

Caderno do Participante do IV ENA

Carta Política do IV ENA

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